sábado, setembro 29, 2007
Chapeuzinho Vermelho na versão do guarda
A mina de toca tava indo pela estrada Afora (a mãe dela mandou ela ir pela estrada Adentro, mas sabe como é mina né, teimosa) quando o "jacarézão" do Lobo Mau que tava à toa na vida, só vendo a banda passar, também viu a mina de toca passando e já deu um sorriso maroto de Lobo Mau e já foi atrás dela, muito na moita. Véio, esse Lobo Mau é mal véio. Pu cê vê como esse Lobo Mau é mal véi, sente só a maldade, os minino da quebrada tavam jogando um 'fut' otro dia e o Lobo Mau, só por maldade, foi lá e furou a bola 'dus mininu' véi. Mó do nada, Joselitão memo.
Daí eu já ganhei a lança né. A mina da toca vermelha com doce na cesta, Lobo Mau seguindo ela na moita, vovó doente dando mó sopa, pensei, esse Lobo Mau tá de sacanagem e vai aprontar. Fiquei só de 'botuca' fitando a lança. Sou guarda né.
A mina ia só de boa, linda e bela, e o Lobo Mau só seguindo ela na espreita de Lobo Mau. Espreita de Lobo Mau é do mal mano. O bicho vai só te seguindo com aquela cara de mal e com cara de quem quer fazer o mal de qualquer jeito.
No caminho da casa da vovó a mina de toca começou a mandar um 'rapzinho' até que responsa: "Pela estrada Afora eu vou bem sozinha levar estes doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto e o Lobo Mau passeia aqui por perto".
Mas deu uma de garça né. Chamo mó atenção e deu mó brecha pro Lobo Mau chega junto. E o Lobo Mau que num é vacilão nem nada já chegou chegando, dando um disfarção meio migué de Lobo Mau e perguntou pra onde a mina de toca tava indo. A mina de toca toda inocente e simpática, nem se ligou da maldade do Lobo Mau, respondeu que tava indo levar uns doces pra vovó dela doente. O Lobo Mau só pôs a mão no queixo e fez "Huuuuummmm". "Huuuuummmm" de Lobo Mau é foda véio. Cê pode ter certeza que o bicho tá maquinando maldade.
Nessas que o Lobo Mau, rato pra caralho, deu um perdido 'nim' nóis e foi pra casa da vovó antes da mina de toca (e antes de mim, o guarda). Véio, o Lobo Mau chegou lá causando horrores. Disse que queria comer a véia, que a véia era mó delícia e a véia de cama sem entender nada. Cabou que o Lobo Mau comeu a véia. E ficou na moita só esperando a mina de toca chegar.
A mina de toca chegou na casa da vovó e se ligou que tinha acontecido alguma fita. Vovó já num era mais a mesma. A voz tava grossa, os zóio gigantesco, boca grande, peludaça...sinistra a parada.
E a mina de toca achando que a véia tava estranha por causa do barato dos remédio, nem se ligou que o bagulho tava feio pro lado dela. Quando a mina de toca foi pegar a cesta de doce pra dar pra vovó-Lobo Mau, ela deu as costas pro Lobo Mau. Vacilo forte. Dá as costa pro Lobo Mau é a mesma coisa que criança na mão de padre véi, o bagulho fica tenso.
O Lobo Mau vendo a mina de toca de costa, já deu um "jump" em cima dela, agarrou ela por trás com unha de Lobo Mau e já se 'pôis' em posição de Lobo Mau pra comer a mina de toca. Foi bem nessa hora que eu cheguei. Vendo aquela cena já saquei a quadrada e dei dois pipoco no Lobo Mau. Tá ligado como é 'fragrante' né, pode atira que tem atenuante.
E a véia deu sorte mano, mesmo o Lobo Mau tendo comido ela, ela ficou vivinha da silva, dizem até que ela gostou de ser comida pelo Lobo Mau. A mina de toca pegou um trauma de Lobo Mau, mas vai passar, afinal num tem mais Lobo Mau. E eu tô aqui de boa, trampando bem menos agora que o Lobo Mau morreu.
P.S.: O guarda é da Z/L, corintianista apostólico-romano, gosta um 'poquinho' de rap e acha que Karl Marx foi o pior goleiro que a Ponte Preta já teve.
quinta-feira, junho 14, 2007
O país do 'Relaxa e Goza' - Versão: língua presa
O comentário foi feito nesta quarta-feira (13) após o lançamento do Plano Nacional do Turismo, que prevê investimentos de cerca de R$ 984 milhões na promoção interna e externa do Brasil até 2010.
Ao ser perguntada sobre o que dizer aos turistas diante dos recentes problemas nos aeroportos, a ministra, que é sexóloga, afirmou: “Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos”.
É isso aí, Mrs Argentinian Guy. O problema é relaxar e gozar com o PT à frente desse país.
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De bate pronto: treze presos da operação cheque mate já foram liberados, incluindo o cumpadre do Língua Presa Maior, Luis Ináthio Lula da Thilva, Dario Morreli. Eita justiça cega que nós temos. É cega sim! Mas sabe sentir o cheiro de um churrasquinho na Granja do Torto, ah isso sabe!
terça-feira, junho 12, 2007
Leo - The lion
I always liked lions and I’ve decided to adopt one of them. They were being mistreated and some protection laws have given me the chance to have one for me. I chose Leo, the thinnest and sickest lion I’ve ever seen. I felt so good doing that charity that I think he felt the same. I took care of him and soon he was very healthy again.
The first years with Leo were very difficult because he insisted in trying to eat me. But I loved him so much. I taught him where to pee and that it was very shameful trying to eat his friends. He had already reached his adult life.
Everything was so perfect until people started complaining to me. They didn’t like the idea of me walking with Leo in the park or throwing steaks instead of saucers. But Leo was so calm and obedient. He just ate a little child once. But that’s ok, because that child was very disturbing.
The government started sending me some letters asking me to send Leo back to Africa, where he belonged first. I couldn’t believe that. Who would watch TV with me? Play cards? Make massage? Go to the movies? Roll on the grass? Make snowmen?
I thought of running. Ride on Leo and let the wind gracefully blow our hair while galloping on the fields. But the fact is Leo preferred to run away alone. I woke up in a morning of July and he had already left me. He even didn’t leave a letter. I never heard of him again.
Nowadays I’m better. I’ve forgotten Leo and last week I adopted an ocelot. He’s very funny and he plays cards better than Leo. Of course, you can’t just replace someone you love, but you can find someone to make you happy and who puts you in danger all the time. In fact, they are safer than women.
terça-feira, maio 22, 2007
Ninguém merece...
Na chegada, o governador ouviu queixas de atraso e falta de equipamentos. "Só um equipamento e só um técnico não é pouco, não?", perguntou Ubiraciara Argentin Korokolvas, 63. "Não", respondeu Serra."
Agora vamos aos cálculos:
Um dia tem 24 horas. Uma hora tem 60 minutos. Portanto:
15x24x60=21.600
100.000:21.600=4,6
Os economistas me corrijam se estiver errado, mas teremos mais de 4 mamografias por minuto, isto é, uma a cada 15 segundos, com apenas um técnico trabalhando 24 horas por dia, durante 15 dias consecutivos, sem fazer pausa alguma para descanso ou alimentação.
Eu amo tamanha eficiencia!!!
quarta-feira, maio 16, 2007
Bala com bala

Enquanto campanhas pró-desarmamento tentam amenizar alguns dos milhares de problemas sociais que temos, nosso governador paulista mostra como tudo tem que ser feito.
Na certa ele estava pensando na seguinte frase:
"Ei, você, brasileiro burro. Você é o próximo alvo!!!"
Que ótimo exemplo temos para nossos filhos. Estamos em boas mãos!!!
sexta-feira, maio 11, 2007
Show de abertura da missa campal
quinta-feira, maio 10, 2007
Cló cló!!
Bom, acho q uma das funções desse blog, além de não ter função nenhuma, é a "função memória". Através das publicações, conseguimos lembrar de algumas coisas já esquecidas.
Hoje, por exemplo, a função memória vai nos lembrar como o povo brasileiro é burro!!!
Claro, não podemos generalizar, alguns se salvam (talvez eu apenas, hehehe!!!).
Mas, enquanto paulistas se degladiam entre PTs e PSDBs, um senhor, um tanto quanto peculiar, que adora gastar fortunas nas decorações de seus gabinetes, apronta mais uma de suas maravilhosas peripécias.
Ainda não sabem de quem estou falando?? É, a memória ta fraca mesmo!! É hora de apelar para a Ginko-biloba...
Mode Ginko-biloba: [on] off
Candidato mais votado nas ultimas eleições para deputado federal, o Sr. Clodovil Hernandez, começa agora (agora??) a dar suas gafes também no plenário. Depois da sutíl reforma de 200 mil reais, agora o seu alvo são as pobres mulheres.
Como estou com preguiça de escrever, gostaria que as duas moscas q lêem o blog, entrassem nos dois links abaixo para enteder melhor a situação:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u92176.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u92182.shtml
Como podemos ver, para o Sr. Clodovil, o grande eleitorado dele, que são as mulheres, são apenas "pessoas que trabalham deitadas".
Demorei muito pra terminar esse post, acabei perdendo o fio da meada, e agora to com sono.
Acho q só preciso dizer q tudo isso q o Clodovil fez, entrará para a lista de pérolas. E essa acho que essa será a vencedora de todas, pois ninguém merece um alfaiate burro, ignorante e mal educado nos representando na câmara. Ou melhor, acho q talvez mereça sim, afinal, cada povo tem o representante q mereçe!!
Parabéns povo de São Paulo. Meu ódio por vocês só aumenta!!!
Renan Campi (por que eu assino o q escrevo, rs)
Náufragos
Ao acordarmos em um lugar totalmente inóspito, a completa falta de sentido faz com que busquemos, a princípio, uma forma de sobreviver àquilo tudo novo que se torna pertinente ao nosso meio.
Em seguida, temos o impulso de tentar mudar o que somos, pois se faz necessário, em um mundo novo, sobreviver de uma maneira diferente ao mundo antigo.
Por último, quando aprendemos finalmente a viver naquele meio distinto, somos tomados pela besteira de construir outro barco e nele navegar, até que a próxima tempestade nos atinja, antes mesmo de sermos resgatados.
segunda-feira, abril 30, 2007
Em Memória a um Grande Coração
Hoje faz um mês que se foi um amigo muito querido. Uma pessoa com a qual não tive qualquer contato nos últimos quatro anos, mas que nos dois em que convivemos deixou sua marca em minha vida. Inelutavelmente, fará parte da minha história para sempre.
Nossa convivência remonta mesmo aos meus primeiros meses na GV, quando eu ainda contava inocentes quatorze anos. Aquela foi uma época pessoalmente muito difícil, mas representou um amadurecimento imenso, sem precedentes. Foram meus amigos que me ajudaram a transcendê-la positivamente, de tal forma que hoje me permito olhar para trás com grande saudosismo. Era o período dos "grandes descobrimentos"; um deles era o de que ter respeito para com os "famigerados veteranos" não significava submissão, como tentou me passar, à força, um certo Álvaro. A melhor marca de respeito para com seus semelhantes era tratá-los como tais, tendo-se como premissa a sinceridade e a fidelidade. Assim fiz grandes amizades.
Não sei em que medida alguns desses, mais relacionados com o tema desses escritos, compreendem a extensão da importância deles para a minha formação. Sabe, às vezes o tempo passa e é possível que nós nos esqueçamos da real medida das coisas, simplesmente porque elas se distanciam de nós e tomam uma forma, vamos dizer, reificada (ou idealizada, "positiva ou negativamente", talvez beirando até a indiferença). Comigo, no entanto, as coisas acabam funcionando de maneira um tanto diferente, principalmente pelo fato de a GV ter sido esse lócus central da minha "formação de vida", onde foram montadas as bases para o meu desenvolvimento intelectual na USP. Lembro-me razoavelmente bem de como conheci algumas das pessoas mais ligadas a esta reflexão.
Por causa da Mayra, que estudava comigo, conheci o Leo, grande figura. Ainda antes do final do primeiro semestre, fui convidado para ser goleiro num jogo para veteranos. A invitação foi feita pelo Tatá, e foi aí onde conheci várias pessoas legais. Uma delas, o Herman, jogava no meu time. Ficava atrás, de fixo, e era muito cobrado pelos companheiros. Ficava bravo com os seus erros e com os dos colegas, mas continuava a tentar. Confesso que eu o achei, naquele primeiro contato, um tanto folgado, mas isso provavelmente se dava pela personalidade mais expansiva dentro da quadra e pelas cobranças a este jovem goleiro.
Logo, no entanto, essa percepção se desmanchou, e nós nos aproximamos. Aquele grupo, que contava ainda com o Eric, o Patolino, o Zé, o Masayuki e outros, era especial para mim. Foi o primeiro, afora os amigos da minha própria sala, com o qual me senti identificado. Tanto que foi praticamente o único, afora meus amigos do 1ºH, que veio à minha casa no meu aniversário de 15 anos. Aliás, me recordo bem de quando naquele dia 06 de Setembro, último dia antes do meu aniversário, o Léo me ajudou a despistar todos os entusiastas (essencialmente aquele próprio grupo) da tradicional celebração do aniversário com lançamento de ovos (vários podres) e farinha. No primeiro dia após o feriado, todavia, não teve jeito: fui carregado à força para fora do colégio e então alvejado por cerca de cem ovos; obviamente fiquei sem condições de voltar para casa ...
Da minha parte, posso dizer que, com o Léo, com o Tatá e com o Herman desenvolvi uma afinidade muito especial. Era legal quando tentava ensiná-los a jogar tennis naquelas quadras próximas à São Camilo; talvez só o Herman tivesse alguma afinidade (o Léo era muito mais hábil com as raquetes menores, o Tatá um entusiasta das bolas maiores - talvez vcs não gostem destes trocadilhos ...). Quando entrei no curso técnico, a amizade se tornou mais próxima, ainda que a entrada à esta nova dinâmica tivesse permitido uma interação muito maior entre os "ex-bixos", formando redes de relacionamento extremamente complexas. A minha habitual distância das salas de aula e os nossos almoços nos saudosos "Lanxereta" e "República" permitiam que continuássemos a interagir com frequência, com longas e divertidas conversas sobre os assuntos mais nonsense possíveis. Claro, como bons veteranos, também me auxiliavam a estudar para as provas de telecomunicações. Puxa, me lembro tão bem de passar manhãs (seja antes das aulas começarem, seja nos intervalos) e tardes compartilhando com o Herman a nossa timidez e as maneiras para contorná-la, além dos tantos causos engraçados com professores e as crises existenciais de cada um ...
O final do ano chegou e, como parte do inelutável processo de formação letiva, vários dos meus amigos se formaram (talvez a maioria deles, eu diria). Dentre eles, Léo, Tatá, Herman. Lembro que o Léo, logo em seguida, entraria em Fisioterapia na São Camilo; o Tatá, na FEI; o Herman iria fazer estágio, dizendo que mais tarde faria cursinho e entraria numa universidade pública. Com o Tatá (e, em menor grau, com o Léo), mantive contato por algum tempo. Lamentavelmente, pouco conversei com o Herman desde então. A minha decisão de me dedicar inteiramente ao cursinho em 2003 em nome de um grande sonho pôs em risco a continuidade da maioria dos relacionamentos.
Em 2005, fiquei muito feliz de ter encontrado o Tatá no mundo virtual e, mais tarde, o Léo. Foram algumas das primeiras pessoas que procurei ao ingressar no esdrúxulo orkut. Cheguei a pensar, à época, se essas pessoas me reconheceriam. Afinal, para tantos, o processo de afastamento vivido na transição entre o colégio e a universidade, a adolescência e a vida adulta, parecem ser naturais, e que indicariam mesmo o caráter essencialmente efêmero das relações humanas vividas naquele primeiro momento. Infelizmente, não achei o André; só o fiz muito mais tarde e, identificando a sua pouca assiduidade no orkut, não o adicionei. Porém, fiquei feliz, pois aparentemente ele havia concretizado o seu objetivo de ingressar à universidade.
Fiquei ainda mais contente quando reencontrei o Léo e o Tatá nesta última edição de 2006 do churrasco do querido Magali. Era uma alegria enorme, quase ufanista, de reavivamento de memórias de 5 anos atrás, aparentemente quase esquecidas. Mais uma vez, paro para refletir sobre essas sensações. Será que elas foram tão esfuziantes só em mim? Puxa, sinto uma felicidade tão radiante quando reencontro meus amigos, que definitivamente não consigo expressá-la literariamente. Senti falta do André naquela oportunidade; meus amigos, no entanto, disseram que ele estava bem.
Apesar de toda a distância temporal e física, apesar da fugacidade da memória humana em tempos de completa reificação das relações intersubjetivas, senti um dos golpes mais duros da minha vida ao ler um despretensioso e-mail neste 31 de março último. Nada, nada fez sentido para mim naquele momento e, confesso, ainda é um tanto complicado racionalizar todo esse processo. Na memória, fresca estão as conversas, as brincadeiras, os sorrisos, o tom de voz, a irreverência. Aqui não me importa mais se ele sequer se lembrava de mim, mas meu sentimento permaneceu o mais fraterno possível em todos esses anos. Mas senti, e muito, o peso de não ter estado ao seu lado nestes últimos meses. Eu entendo e respeito completamente a sua postura de não querer que comentassem sobre a sua doença, mas realmente sofri muito, muito mesmo, com esta notícia. Senti um vazio imenso, até mesmo por não ter estado presente em seu velório. Senti uma dor aguda por ser incapaz de fortalecer sequer a mim mesmo, quanto mais a seus amigos mais próximos e familiares, que sequer conheço.
No auge da minha inocência, fiquei com a sensação de que tudo havia acabado, de que não haveria chance de voltar atrás, de que tudo passava a ser, então, memórias, enfim, um sentimento de perda irreversível, que se encerrava em mais sofrimento. Acho que o que mais queria era reencontrar esses amigos mais próximos, compartilhar essas percepções e transcendê-las, de forma a fazer com que nos reaproximássemos de novo. Fui à missa de sétimo dia, numa igreja da Mooca, mas infelizmente não achei ninguém. Eu reconheci a família do André, e acabou me confortando bastante, naquele momento, irradiação subjetiva de tranquilidade, calma, serenidade, como se percebessem que ele estaria bem onde estivesse.
Minha namorada, com toda sua sabedoria, considera que minha condição de ateu talvez me impeça um pouco de ver a transcendência da vida, ou seja, da inexistência (ou da não drasticidade) da cisão entre a vida e a morte, do "fim de tudo" na morte. Talvez esta seja uma visão, de fato, mais reconfortante; de fato, contudo, a dor persiste. Queria transformá-la naquele sentimento mais positivo de "fraternidade extratemporal", de quando nos lembramos de uma experiência onde o tempo não é condição essencial para que a valorizemos, mas ainda está difícil. A verdade é que minha nula vivência com este tipo de adversidade impediu que eu amadurecesse nesse sentido. Mas talvez nunca estejamos "preparados" de fato; se o estivermos, também corremos o risco de transformar nossa reação em inação, em apatia. Anestesiar a dor por meio da indiferença é o caminho menos humanizador para o acúmulo da experiência. A percepção mais clara que pude ter é a de que tenho todo o poder mental, intelectual e ativo de mudar o curso da história do mundo, de trilhar caminhos para nossa emancipação; mas é impossível alterar a inexorabilidade do caráter imponderável da vivência humana. Isso não podemos controlar.
Talvez a melhor saída seja, realmente, tentar trazer de volta as amizades de outrora, não deixar que o legado dessas experiências, dessas vidas em conjunto, se esvaziem. O tipo de sociabilidade existente no mundo hoje, no entanto, é um grande obstáculo para isso. Mas ao mesmo tempo, quem sabe, a partir do momento em que, de fato, começarmos a intensificar mais a vivência com nossos entes queridos, poderemos criar vias alternativas de socialização que, em última instância, invertam as dinâmicas opressivas de nosso mundo e pautem as relações humanas por meio de um digno e constante recohecimento entre as pessoas.
Escrevi tudo isso para reverenciar e homenagear a memória de meu amigo, ao mesmo tempo em que tentei expressar as minhas inquietações mais profundas. André, por mais que vigore, persista e se intensifique o distanciamento espaço-temporal de nossa feliz convivência, sua marca essencialmente positiva em minha vida é inelutável.
Obrigado por tudo e até breve.
Sérgio Roberto Guedes Reis.
domingo, abril 22, 2007
É cada bueiro aberto...
Bom, cansado de ouvir tanta idiotice da nossa tão querida e útil midia, começarei a postar aqui algumas frases célebres q vou caçar durante a semana nos jornais, telejornais, midia virtual etc.
Essas pérolas foram colhidas essa semana:
A Culpa é do aquecimento global!!!
(Sandra Annenberg, no Jornal Hoje, noticiando uma série de tempestades q aconteceram no Canadá e destruiram algumas cidades. O legal de comentar sobre a manipulação da notícia, é que a culpa não é mais do Homem e sim, do aquecimento global. Acho que em breve, Bush entrará em conflito armado contra o aquecimento global. Dessa forma, ninguém mais vai poder dizer q os EUA não se importam com o meio ambiente.)
Eu concordo totalmente com você, mas, nós aqui da imprensa, devemos ser imparciais!!!
(Carlos Nascimento, no Jornal do SBT, falando à um telespectador sobre sua grandiosa imparcialidade jornalística.) Nem precisa comentar nada sobre essa né?? Fala sério!!!
Bom, acho q é um bom começo. Com certeza, nas próximas semanas, colocarei mais algumas, pois a nossa mídia insiste em divertir-me com essas preciosidades.
E depois, o povo q é burro!!!
PS: Não posso deixar de comentar sobre o pedido da prefeitura de Londrina, para o presidente enviar tropas do exército para aumentar a segurança da cidade. huahuauhauha
By Renan
quinta-feira, março 08, 2007
Tese do Congresso dos Estudantes da USP - 2006
Este texto foi redigido por mim e por alguns amigos também em Maio do ano passado, e foi publicado no Caderno de Teses que foi discutido, então, no Congresso dos Estudantes da USP (realizado a cada dois anos). Não preciso mencionar que este foi um dos poucos textos assinados por alunos apartidários, e que o fato de estarmos fora da disputa mais "ferrenha" (como a do pessoal do PCO, PCMR, PSTU e outros, que por vezes saem no braço enquanto discutem, p.ex., o papel de Lassalle, Proudhon e Marx na I Internacional, ou de Lenin, Rosa Luxemburgo e Kautsky na III Internacional) tb despertou, como sempre, uma atenção privilegiada (i.e. grande concentração de críticas). É muito claro que o texto revela não só nossa formação política de longo prazo, mas também influências mais diretas, como as matérias que cursávamos e engajamentos políticos momentâneos. Mas ainda sim foi um esforço bem interessante no sentido de caracterizar nosso pensamento diante da USP naquele momento e para que contribuíssemos, assim, com o escasso debate existente sobre os temas (Universidade Pública, papel dos estudantes, contexto nacional, entre outros), inclusive dentro do Movimento Estudantil ...
Qdo puder posto algo mais casual ...
Bjs e abs,
Sérgio.
L'Esprit Frondeur
Para pensar a USP e uma atuação voltada para a (re)construção da função pública da Universidade, partimos da atual situação da PUC-SP, imersa em dívidas as quais foram centralizadas em dois bancos, que agora participam ativamente da gestão e da definição de seus rumos. Professores e funcionários foram demitidos em nome de uma pretensa eficiência nos gastos. Parte do movimento estudantil da PUC defende a estatização como saída para a crise. Embora possamos questionar se a sociedade contemporânea comporta uma universidade privada que busque ter um caráter público – como parecia ser o caso da PUC até a intervenção que violou a sua autonomia – acreditamos que existe um elemento ilusório nesta solução. É um erro ou uma ingenuidade acreditar que o financiamento estatal garante uma função pública da Universidade: é só atentar para o significado da USP; nela o princípio de Universidade Pública não se concretiza. Ora, sem pretender um diagnóstico completo ou exaustivo, qual é a sua situação? De imediato, questionamos até que ponto nela vale a pena investir mais dinheiro, se uma lógica de apropriação privada do espaço, do conhecimento e dos lucros que a marca USP possibilita, principalmente para os professores beneficiados pelos cursos pagos das Fundações de Apoio. Em última instância, a presença destas Fundações tem conseqüências nefastas, distorcendo o tripé ensino-pesquisa-extensão. A Universidade também acaba por operar uma transformação da técnica em ideologia, de maneira a se legitimar enquanto produtora do único conhecimento legítimo. Este processo associa-se a hegemonia da ideologia positivista em muitas das instâncias na sociedade, realizando um “processo político de despolitização” que desqualifica e marginaliza tudo o que rejeita a concepção do primado da técnica, do pragmatismo vulgar e da pró-atividade, ou seja, dos valores próprios à gerência empresarial. É a "tecnologização da ciência", como afirma Ístvan Mészáros. Em outros âmbitos, a USP reforça a compartimentalização não só dos saberes, mas também dos próprios alunos, o que inviabiliza uma visão mais totalizante da Universidade, da ciência e da sociedade. Finalizando este breve panorama da USP, encontramos normas, muros e vigilâncias que, em nome de uma segurança, que sequer se concretiza, tornam o seu espaço físico inapropriável pela comunidade acadêmica e pelo entorno do campus Butantã. O que impera no cotidiano da Cidade Universitária é um espaço deserto e destituído de vida, aos moldes higienizantes e assépticos dos ambientes fabris.
De certa maneira, poderíamos pensar até que ponto não observamos uma contradição neste sucinto diagnóstico. Por um lado, uma Universidade aberta à sociedade (vulgo “mercado”): a USP permeável à lógica mercantil dos cursos profissionalizantes e pagos. Por outro, a simultânea pretensão de isolamento e fechamento em si mesma, corroborando uma lógica fabril: a perda do sentido da produção do conhecimento e da experiência universitária, instaurando uma dinâmica inerte e mecanicista, de repetição e fragmentação das atividades desenvolvidas.
Na realidade, dois quadros gerais agravam o caso específico da USP, que é menos contraditório do que aparenta ser. Em primeiro lugar, temos que operar uma mudança no olhar para dar conta não apenas da sua estrutura, mas também de seus agentes. Para pensar uma outra Universidade, precisamos nos conscientizar do obstáculo que é o imaginário que norteia as ações de docentes e discentes, os quais possuem uma cultura de apropriação da Universidade guiada por expectativas particulares. Por um lado, os estudantes corroboram uma concepção de Universidade como mera qualificadora de mão-de-obra especializada. Querem seus diplomas para ter uma carreira profissional bem-sucedida, uma forma de ascensão ou reprodução social. Assim, o mercado se torna o agente histórico dos rumos da Universidade não só porque ele precisa dos profissionais aqui formados, mas também porque os estudantes optam politicamente pelo assédio do mercado. Ao abrir mão de uma definição autônoma da sua própria formação em nome das demandas do mercado, o estudante aprofunda um processo de auto-alienação e reificação.
Por outro lado, o caso dos professores é mais complexo. Além do caso já descrito das Fundações, a carreira acadêmica passou a ser uma trilha profissional individual, sem conexão com um pensamento acerca da instituição. O que move muitos dos docentes é a publicação em revistas bem-avaliadas para acumular poder político e reconhecimento acadêmico dentro da própria estrutura universitária, no sentido de conquistar maior autonomia para definir a sua própria pesquisa. Nos dois casos, vemos os projetos individuais se sobreporem e erodirem a possibilidade de um projeto público de Universidade, no seu sentido coletivo de comunidade acadêmica e nas suas conseqüências sociais.
Este é um primeiro quadro geral, de caráter mais conjuntural, por se tratar de um processo contemporâneo de radicalização das individualizações. O segundo quadro se caracteriza de forma mais estrutural e perene. Trata-se da histórica cisão entre trabalho intelectual e trabalho material, ou seja: do pensar e do fazer. Walter Benjamin escreveu “Nunca existiu um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie”. Esta frase traz consigo a necessidade de reconhecermos que a nossa condição de universitários – em sua maioria brancos e de classe média – é, por um lado, a de ter o privilégio do acesso à cultura, à arte e ao conhecimento acadêmico. Mas por outro, que esta exceção ao cotidiano desumanizador da maioria da população – uma longa jornada de trabalho, cercada por horas perdidas no trânsito entre o centro e a periferia, sem tempo para si mesmo – esconde exatamente o fato de que não existiríamos como existimos se a sociedade não se estruturasse por meio da barbárie: a opressão, a violência, a exploração. Em última instância, a verdadeira emancipação só ocorrerá quando a cisão entre pensar e fazer for abolida. Ainda assim, até este momento se concretizar, temos que refletir sobre as formas de realizar a política e a função pública da Universidade. É o que faremos a seguir.
Para concluir este diagnóstico da Universidade, buscamos a conseqüência da associação entre a estrutura da USP e estes dois quadros gerais. O resultado é que a USP se tornou uma marca tanto para o curso pago quanto para a pesquisa dos docentes e o diploma dos discentes. Uma marca defendida a qualquer custo, uma vez que os atores que constroem a Universidade têm um interesse comum na sua reprodução, pré-condição para o sucesso de seus projetos individuais. Gera-se um corporativismo que mascara o que deveria ser criticado, propagando o simbólico de uma USP intocável e indiscutível. Enfim, a manutenção do status quo é garantida por um pacto de mediocridade entre professores e alunos.
Nossa reflexão sobre o ser e o dever ser da Universidade Pública parte de princípios que estão inseridos em um quadro de forças políticas e que se evidenciam na disputa entre diferentes formas de conceber e fazer política. Partamos para um breve delineamento das forças que estão postas, tanto no movimento estudantil como nos âmbitos externos à própria Universidade.
Às forças que se auto-intitulam transformadoras, chamaremos “esquerda clássica”, de herança marxista-leninista, que opera uma cisão entre meios e fins. Mantendo no discurso uma meta emancipatória, porém partindo de uma constatação realista, a esquerda clássica propõe a vanguarda como forma de alcançar a transformação social, com a função de guiar as massas. A contradição entre a forma (hierárquica e, por fim, despótica) e o conteúdo (dito progressista) significa um auto-bloqueio, que resulta tão somente em um anacronismo autoritário.
Do outro lado do espectro ideológico, as forças conservadoras realizaram uma fusão entre o imaginário liberal, calcado na democracia representativa, e a utopia da sociedade de consumo. O resultado desta articulação é o estabelecimento de uma passividade generalizada, na qual as pessoas são incapazes de se enxergar como participantes da construção de processos políticos. Se a esquerda clássica perverte os meios para alcançar o que deveriam ser nobres fins, esta espécie de liberalismo utilitarista se centra nos meios instrumentais. Com um discurso que articula eficácia, responsabilidade, competência e representação, estas forças buscam uma pretensa conciliação entre o particular e o universal, por meio de uma gestão administrada do gozo coletivo.
Nós partimos de princípios antagônicos a ambas estas concepções políticas. Iniciando pela segunda, ela parte de uma visão restritiva do indivíduo e da liberdade. A concepção liberal de “liberdade” parte de que “a minha liberdade termina quando começa a liberdade do outro”, concepção fundamentalmente associada ao direito à propriedade. Isso quer dizer que o indivíduo é um átomo, que pode ser isolado, quantificado e representado. O indivíduo é reduzido ao papel de espectador, cuja maior atividade é expressar uma demanda, tal como um mero consumidor. Este princípio político impede que as pessoas sejam co-realizadoras da realidade. Nós partimos do ponto de vista de que a liberdade de um, de fato, se inicia na liberdade do outro. O indivíduo é subjetividade, ou seja: ele é ser-para-os-outros, qualitativo, complexo e, portanto, somente auto-representável. O indivíduo é um fluxo contínuo, a política deve ocorrer em um processo conjunto de criação inseparável de pensamento e ação. As subjetividades se formam e se transformam em contato umas com as outras. Somente neste quadro, cada um dos sujeitos se torna agente da sua própria história, o que é, na realidade, o resgate do grande fim emancipatório. A política não se resume, portanto, em uma simples soma de indivíduos, mas significa um processo intersubjetivo.
Quanto à esquerda clássica, é preciso buscar uma reconciliação entre meios e fins. A emancipação nunca vai se realizar se a forma vanguardista continuar contaminando a política da transformação social. De certa maneira, nossa divergência encontra um paralelo nas diferentes soluções de Lênin e Rosa Luxemburgo, aquele engajado na causa do partido vanguardista, ela confiante na força dos sovietes auto-organizados. No fundo, é abandonar a Organização política, que busca disputar hegemonias, para apostar em Associações horizontais, como, por exemplo, o processo Fórum Social Mundial. Somente em espaços abertos, nos quais todos possam ser sujeitos (e não apenas a vanguarda), que a forma e o conteúdo se harmonizam de maneira a estabelecer uma cultura política realmente transformadora.
Assim, partimos da concepção de Autonomia para pensar e exercer a política, superando princípios que consideramos retrógrados. O exercício da Autonomia, entendida como universalização da capacidade humana de ser sujeito histórico, ocorre por meio de decisões coletivas e consensuais, em espaços abertos, horizontais e auto-representativos. Estabelecer tais espaços é uma maneira de criar rupturas numa realidade ainda dominada pelas duas forças políticas descritas. Assumir-se como parte integrante dos processos políticos passa por afirmar seus interesses particulares, bem como em reconhecê-los relacionados a outras subjetividades, que os transcendem e os realizam. Partindo desta perspectiva, delinearemos um esboço de uma série de processos para a (re)tomada do simbólico público da Universidade.
Primeiramente, assumimos que o Espaço da Universidade é público e deve ser encarado como tal. Isso significa dizer que além de dispor de um transporte coletivo adequado, o campus deve ser aberto ao acesso da população e não fechar-se aos moldes de um feudo que se protege da barbárie das ruas. A barbárie está, antes, mascarada e pressuposta na sua própria existência. Assim, a luta se realiza pela criação de âmbitos de gestão coletiva do campus, com a regulamentação democrática do seu uso, a qual se contrapõe a atual repressão direta e irresponsável à liberdade de alunos e da população em geral, como demonstrado no acirramento dos controles de acesso aos campi Butantã e Zona Leste, além das recentes suspensões de estudantes em diversos cursos pela organização de festas. A Universidade como espaço público não se realiza somente pela abertura física, mas também por meios imateriais. A comunicação é um poderoso instrumento no sentido de romper a fragmentação discente, seja pela criação de uma Rádio Livre auto-gerida pelos alunos, seja pelo diálogo entre os diferentes jornais estudantis.
Se o livre acesso ao campus é fundamental, também é absolutamente necessário buscar a democratização da produção e do acesso ao conhecimento na Universidade. A recente campanha promovida pelo programa USP Inovação corrobora uma lógica privatista, que incentiva as patentes de propriedade intelectual. Pesquisas realizadas com financiamento público têm seu acesso à população restrito por regras de copyright, quando a própria sociedade como um todo financiou sua produção, inclusive por meio da remuneração aos pesquisadores. É preciso iniciar o uso de novas formas de registro de propriedade intelectual (de materiais didáticos, papers, bases de dados, design industrial e softwares) como os Creative Commons, que atentam para o acesso irrestrito ao conhecimento e evitam sua mercantilização por meio de mecanismos jurídicos que garantam sua função pública. A atual dinâmica acaba por inviabilizar a livre circulação e produção do conhecimento científico, engessando-o à lógica de mercado. Outros passos importantes são a legalização da cópia de livros e o início não só da produção, mas também da utilização de softwares livres nos campi, propiciando a tod@s o uso-fruto e a possibilidade de participação em seu desenvolvimento. Por fim, a Extensão Universitária, como conceito em disputa, tem um potencial de romper os muros da Universidade e redirecioná-la para uma reflexão e intervenção críticas na realidade, ao pressupor a interdisciplinaridade e a troca horizontal com agentes sociais contra-hegemônicos, e evitar a colonização deste termo pela atividade das Fundações.
Contudo, iniciativas autonomistas na Universidade (e também entre os movimentos populares) encontram inúmeras dificuldades. A criação de espaços auto-geridos encontra contradições na tentadora manutenção de lideranças ou gestões como formas hierarquizadoras das relações políticas e humanas, e também na educação política de passividade dos sujeitos, formada por toda a sua vida, que os impedem de perseguir a sua auto-determinação. O grande entrave é que a auto-representação só é efetiva e legítima quando internalizada e exercida no cotidiano entre o eu e os outros. O que nos resta é a compreensão de que todas estas iniciativas são um processo pedagógico, cujo horizonte – aberto, incerto e em construção permanente – é a própria emancipação.
L´esprit frondeur.*
*expressão originada nas Frondas Francesas, que afirma o espírito rebelde, questionador e crítico da realidade.
Andreza Tonasso Galli, Caio M. Ribeiro Favaretto, Danilo César Fiore, Frederico Souza de Queiroz Assis, Jonas Marcondes Sarubi de Medeiros, Juliana dos Santos de Almeida Sampaio, Leonardo de Oliveira Fontes, Nádia Nakamura Vieira, Pedro Henrique Lopes Campos, Sérgio Roberto Guedes dos Reis, Tássia Toffoli Nunes e Thiago Donghia Badaró. (curso: Relações Internacionais)
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
A Meritocracia e a Vivência Universitária: críticas e concepções
Uma das questões básicas a ser analisada dentro do funcionamento da universidade é o seu acesso. A meritocracia é praticamente senso comum (se não totalmente) dentro dos grupos que regem a universidade e integrantes da elite em geral, especialmente a intelectual (inclusive a de "esquerda"). O argumento é o de que a demanda de pessoas que desejam ingressar no ensino superior supera em muito a oferta de vagas o que faz com que se torne inevitável a realização de um processo seletivo, que escolha os melhores para o ingresso na universidade. Outro argumento também corrobora esse entendimento: a vinda de alunos "realmente" qualificados faz com que o ensino superior não perca sua qualidade e não perca o posto de "centro de vanguarda intelectual", em que as diretrizes de funcionamento da sociedade são planejadas. Algumas críticas, embora interessantes, não rompem a bolha sociológica de onde estão inseridas. Pseudo-soluções, altamente paliativas e, possivelmente, fruto mesmo de uma crise de consciência entram em tramitação. O exemplo mais evidente disso é a criação de um "quarto" ano, uma espécie de cursinho para alunos de escolas técnicas públicas. Trata-se de uma prática incoerente a priori, que infelizmente não se pode traduzir como solução de curto-prazo, quanto mais de caráter definitivo, como parecem pretender a elite política. Eles parecem (ou não querem) entender que, na pior das hipóteses, a alteração do quadro educacional dever-se-ia dar dentro do ensino médio - e antes disso, obviamente - e não criando-se mais um entrave, que reflete, pelo método, nada mais do que a coroação do ensino pragmático e naturalmente vazio, acrítico e privatista.
Mesmo boa parte das críticas mais ostensivas ao vestibular acabam por não negar segmentos de sua lógica perversa e, com isso, sua própria existência. O que se pensa, no melhor das hipóteses, é criar condições iguais para se disputar as vagas para a universidade. Pouco se questiona, nesse raciocínio, o óbvio direcionamento e seleção "filosófica" que o conteúdo das provas acaba por exprimir. Mais uma vez, só se pensa pragmaticamente, só se importa a respeito do ingresso de alunos de ensino público (e/ou pobres, e/ou negros) na universidade, para que, posteriormente, galguem bons cargos no mercado de trabalho, como "alpinistas sociais". Esta é uma clara concepção elitista, que entende a emancipação e o "sucesso" do ponto de vista do status econômico.
Ao entendermos a meritocracia como lugar comum do pensamento social, acabamos por entender realmente que a universidade é um local negativamente privilegiado, como se se destinasse para "predestinados" cultural e economicamente. Claro, se o diploma serve como diferencial no mercado de trabalho e como símbolo de status dentre os seus semelhantes, é cabal que exista um processo "justo" e rigoroso de seleção, pois toda essa lógica se insere perfeitamente na realidade em que vivemos. Assim, a "bolha" de homogeneidade cultural entre os partícipes de tal processo não é rompida; as limitações estruturais do sistema capitalista (como a incapacidade de se universalizar o ensino superior) são vistas como sendo pressupostos incontestáveis da própria sociedade. Em outras palavras, ou o indivíduo se subjuga à essa realidade, respeitando passivamente seus alicerces, ou então está à margem do sistema - fora da "bolha".
Não entendem os críticos tradicionais que a procura de métodos alternativos (como um vestibular mais "humano" e flexível), embora seja uma iniciativa extremamente válida e corresponda, de uma certa maneira, a um rompimento drástico como relação aos paradigmas alicerçantes de funcionamento da sociedade pós-moderna, ela representa uma solução apenas de curto prazo, na medida em que, como se pôde observar nas últimas décadas, as estruturas que se pretendem dirigentes da convivência humana apresentam uma capacidade imensa de se reajustar e de se reconfigurar à realidade emergente, em geral como uma rapidez impressionante. Isso significa, no exemplo em questão, que tão logo as pretendidas mudanças na forma do vestibular sejam implantadas, os conglomerados do grande ensino privado alterariam seus currículos de forma a direcionar as matérias à nova demanda vislumbrada pela burocracia universitária (tendo-se como hipótese a não conexão direta entre esta e o setor educacional mencionado, o que não necessariamente é verdade, e que, caso existente, tornaria a pretensa transformação do quadro ainda mais entravada). Em pouco tempo, todo aquele espírito esperançoso de se alterar dramaticamente o perfil dos ingressantes na universidade, a fim de se buscar maior pluralidade social e maior integração da universidade à sociedade "externa", seria destruído, na medida em que os princípios éticos norteadores da efetivação de um processo seletivo mais diferenciado seriam desvirtuados e focados de um ponto de vista extremamente pragmático, competitivo e, obviamente, mercadorificado. Em última instância, o ensino de novas matérias, como Filosofia e Sociologia, no ensino médio se transformaria, metodologicamente, igual às demais; o espírito crítico, mesmo se fortemente evocado dentro das questões de vestibular, seria transmutado em "artimanha", justamente para atender o fim de se acertar mais pontos. Diante dos princípios privatistas que compõem fortemente a sociedade, seria inviável conceber que, peculiarmente, essas disciplinas (ou quaisquer outras) seriam ministradas como fins morais e éticos de constituição dos indivíduos e da coletividade - transcendendo sectarismos altamente vigentes (e também expressões da principiologia pragmática) que classificam esse comportamento almejado como naïve, enquanto captam e subvertem tais noções e aplicam-nas no meio empresarial, coisificando mais um inalienável atributo humano. Seria esperado, enfim, que tudo se transformaria em "técnica" a mais a ser transmitida pelos "magos" professores de cursinhos, para que "vestibulandos" (a expressão parace caracterizar uma função sociológica, um trabalho, um modo de vida, na medida em que se tem a noção da necessidade de "especialização suprema" nessa atividade para que, então, se ingresse na "vida" de facto) consigam entrar na USP e, paralelamente, se transformarem, mais uma vez, em mercadoria valorizada, tanto para o futuro mercado de trabalho como mesmo para os cursos pré-vestibulares, por meio de estatísticas que os tornarão "campeões de aprovação" - uma espécie de certificado "ISO 9000" que se apropria dos corpos e mentes humanas para dar à empresa de educação (expressão claramente contraditória) uma diferenciação perante seus concorrentes. Mais uma vez, como se vê, a "bolha" não é rompida.
E por que não o foi ? Porque a meritocracia, mesmo nesse pensamento libertário acerca do vestibular, acaba sendo parte essencial de seu próprio argumento, que cabalmente se materializa; tal situação parece indicar que, na verdade, a meritocracia é um pressuposto tão óbvio que se torna um tabu em rodas de discussão - em especial naquelas em que constam aqueles que superaram esse obstáculo, é quase natural que a contestação desse sistema como um todo (e não somente de seus aspectos mais pontuais) se torne uma "heresia" ou um "utopismo deslavado". Não se compreende que a meritocracia é pate totalmente integrante de um sistema de classes, na medida em que é praticamente um topos para tal distinção. Isso se dá em três aspectos: primeiramente, a meritocracia funciona como instrumento para a renovação dos quadros dirigentes da sociedade - os elementos individuais não precisam ser necessariamente os mesmos, contanto que a totalidade permaneça existente; afinal, no caso da universidade, não é possível dizer que o processo seletivo seja perfeito em selecionar sempre aqueles que vieram das grandes escolas particulares. Contudo, mesmo quando se pensa que ele falhou, ou seja, permitiu a entrada de alguém que jamais frequentou a educação privada e estudou por conta própria após o término dos estudos regulares, é tácito supor que, na próxima geração, esse indivíduo terá ascendido à condição social de seus pares da vida universitária e, com isso, proporcionará a seus descendentes oportunidades educacionais melhores (no sentido da maior facilidade em ingressar no ensino superior gratuito de qualidade); nesse entendimento, houve simplesmente uma renovação nas classes superiores, e não uma transformação sistêmica da sociedade. Secundariamente, a meritocracia funciona como fulcro existencial entre as classes sociais, na medida em que são as superiores (e não a sociedade como um todo, já que se pressupõe que a sua totalidade, por conter setores "não-intelectualizados", é incapaz de criar métodos de seleção adequados - e, subliminarmente, entende-se aí uma forte conotação positivista na concepção de "capacidade") quem determinam exatamente quais os requisitos para que este ou aquele indivíduo ingresse na universidade. A noção de qualidade do aluno, aí, é atribuição parcializada de determinado setor, que se aproveita de sua condição social para propiciar a seus pares as ferramentas exigidas pelo processo seletivo. Nesse contexto, cria-se um gap de oportunidades entre aqueles que dispõem de condições para seguir um programa determinado, na verdade, por eles mesmos (como as exigências do vestibular) e aqueles que dispõem de conhecimentos e construções culturais distoantes dessa concepção e carecem, em contrapartida, de condições materiais para se colocarem em pé de igualdade com o outro grupo. Nesse sentido, o terceiro aspecto em que a meritocracia transparece como método de seleção parcial é em razão da diferenciação econômica que, em consonância com a meritocracia intelectual/política oriunda da segunda diferenciação, fazem com que o processo seletivo não se torne, jamais, um processo social, mas sim uma escolha "intra-classe". Quer dizer que, em detrimento da organização da sociedade baseada num conceito individualista/monopolista de eficiência econômica, torna-se cabal que os setores mais bem colocados socialmente serão aqueles que, de acordo com a organização do mercado, serão os mais capazes de utilizarem sua condição e, assim, pagarem pelas melhores escolas/cursos preparatórios. De fato, a "concorrência perfeita" também não se realiza aí, já que os centros com maior índice de aprovação (que também é oriundo, em geral, não só da dita "excelência" do ensino, mas também pela condição sócio-econômica de seus participantes - caso não precisem trabalhar, poderão se dedicar integralmente às funções escolares), se utilizarão de tal carimbo para conquistarem cada vez mais o caractere econômico social da inventiva economia eficiente: a mais-valia. Com isso, o setor educacional público, cada vez mais abandonado tanto por não se configurar mais como sendo, de acordo com essa lógica (tida como "supra-histórica"), o mais eficiente, como, por causa disso, ser um dos primeiros a ser relegado a planos inferiores em termos de investimento para o beneficiamento de outros setores, como o pagamento das dívidas (que por sua vez realimenta o cume social dos grupos mais abastados e, como isso, reforça a lógica de diferenciação dentro do quadro destacado), fica destinado às populações mais paupérrimas e totalmente desprovidas de recursos para a inversão de sua condição social. A universidade, assim, se configura cada vez mais como posto de preparação para o mercado de trabalho e para a consolidação/ascensão social, corroborando de maneira eficaz os princípios meritocráticos que regem a sociedade e à ela mesma; toda essa realidade, presente de forma massacrante (com um tônus vigoroso, de "obviedade ululante"), acaba por ser apreendida pelas subjetividades sem questionamentos, tornando um enorme problema no melhor que se poderia conceber acerca da modernidade e da capacidade humana de se auto-organizar.
Supondo que a meritocracia se configurasse, de fato, como um conceito metodológico "neutro" de seleção para a universidade (ou seja, em que condições econômicas, políticas, sociais e culturais de determinados grupos não fossem fatores de privilegiação nesse processo), ainda assim um vestibular não tecnicizado não seria a melhor maneira de se ingressar na universidade. Isso, obviamente, quando se tem em conta a universidade como sendo um espaço social. Ou seja, prévia e contiguamente ao debate sobre o acesso à universidade, é a concepção sobre a mesma que está em disputa. Se se tem em vista a universidade como espaço de diferenciação social, atrelada a uma forte noção positivista da supremacia da ciência sobre outras produções humanas e se, evidentemente, existe o entendimento de que a alocação eficiente de recursos significa investir capital de forma a potencializar capacidades individuais (o que faz emergir a noção do ensino superior, mais uma vez, como formador exclusivo ou essencial para o mercado de trabalho), nem assim seria possível conceber uma neutralidade metodológica de seleção. O projeto que se pretende representante da concepção liberal de mundo, que evoca para si a doutrinação e teorização sobre o respeito e valorização às inalienáveis capacidades humanas individuais, fracassaria retoricamente na tentação de descobrir a "imparcialidade". Isso porque, sabidamente, noções como "positivismo", "alocação eficiente de recursos", "capital" e "mercado de trabalho" estão intimamente ligadas à contemporaneidade e ao modo de produção sócio-econômico vigente. A busca de neutralidade perante uma circunstância resulta invariavelmente numa tomada de posição sobre a mesma circunstância, e pela relação desta com as demais também é possível dizer que ocorre relação diferenciada com estas (e, inclusive, consigo mesmo), a partir de tal comportamento, dito "objetivo". Em suma, se há seleção, há subjetividade. Se há referência externa à totalidade social ("capital", "mercado de trabalho"), há subjetividade. Em todo esse entendimento, conforme mencionado, fica patente a forte relação dessas concepções como a tácita produção cultural em voga. Não é possível, dentro desse modelo meritocrático, pensar numa universidade como espaço, já que todas as estruturas, sociais ou não, são segmentadas, resultado de uma constante (e bem sucedida) tentativa de atribuição de valor monetário às mesmas. Universidade é universidade; arte é arte; cultura é cultura; sociedade é sociedade. Cada um tem seu espaço próprio e "privilegiado", e cada vez menos há mesmo uma "intersecção" entre esses setores. Diante dessa realidade, é inconcebível um processo seletivo e uma universidade humanos sendo o primeiro processo seletivo, e o segundo, universidade tais quais se definem hodiernamente.
A armadilha de se crer numa universidade mais humana por meio de um processo seletivo mais justo se desfaz a partir do momento em que se questionam alguns aspectos (que seguirão para o entendimento de um conceito totalmente novo de universidade, quando a entendemos como um processo contínuo de auto-reformulação). Tais aspectos precisam de urgente contraposição, na medida em que se faz crer na sua existência como um fato dado. Primeiramente, é necessário questionar a noção da universidade como espaço institucional-burocrático supra-histórico. Ou seja: precisaria mesmo a universidade ser esse local físico separado das demais estruturas da sociedade, ainda que, eventualmente, possua vasta extensão e principiologicamente se insira como bem público ? Em segundo lugar, seriam as segmentações e especificidades de cursos e disciplinas (como, por exemplo, Economia Agroindustrial ou Biotecnologia), além das suas curtas durações (entre dois e cinco anos, com predominância cada vez maior para o prazo mais exíguo) um fenômeno normal do círculo universitário ? Em terceiro lugar, seria, de fato, a universidade o ente dotado de exclusiva (ou principal) legitimidade acerca da apreensão do conhecimento quando se tem em conta o fenômeno descrito no questionamento anterior ? Em quarto lugar, seria a seleção dos "melhores" dentre os pretensos ingressantes o íngrediente para a dita perenização da universidade como local de excelência da produção científica da sociedade ? Em quinto lugar, que legitimidade teria a conceituação dessa produção científica perante a sociedade e a si mesma caso ela de fato não seja produto da totalidade do corpo social ? Finalmente - e uma das questões mais relevantes - é possível afirmar, de fato, que a escassez de recursos que leva ao uso da meritocracia como elemento definidor da composição da universidade seja um fato dado ou, ao invés disso, uma condição que remete linearmente às limitações do sistema econômico vigente ? Todas essas questões, de alguma maneira, amarram a universidade à meritocracia, e indicam a dependência de uma perante a outra para o seu funcionamento.
O que se está tentando mostrar é que a relação entre a universidade e o modo de produção capitalista foi um dos fatores mais relevantes na ascensão do método meritocrático de ingresso, que serviu historicamente primeiro para controlar a demanda cada vez maior por parte de segmentos da sociedade que ascendiam economicamente mas não dotavam dos títulos acadêmicos que lhes dariam, em primeira instância, o status social que almejavam e, a seguir, a permanência no segmento social objetivado, para que, então, reproduzissem a lógica de busca de júbilo que o sistema econômico lhes garantia por meio da conquista progressiva de poder. Secundariamente, o método meritocrático contribuiu para a renovação dos quadros superiores da sociedade, dando-lhe o dinamismo necessário para tornar mais eficiente a gestão dos recursos mercantilizáveis. Terciariamente, a meritocracia, mais um elemento capturado por uma noção cada vez mais centrada na mercadorificação das coisas e no aumento da eficiência da totalidade do sistema (de acordo com noções peculiares sobre o significado de tal eficácia, conforme já mencionado), também foi reificada, tornando-se um elemento de comercialização e disputa entre setores médios da sociedade, cada vez mais influenciada pela significância do termo "merecimento"; mais contemporaneamente, a noção do self made man with no strings attached, ou seja, o indivíduo que conquistou o "seu lugar ao sol" sem depender de ninguém. Esse processo levou, obviamente, a uma grande dinamização de outros setores da sociedade que não a própria universidade, especialmente o mercado de trabalho e a educação basilar privada. Enquanto isso, no plano essencialmente internacional, o setor público se comprometeu cada vez mais com empréstimos vultosos, a fim de tentar estancar aumentos expressivos de déficits orçamentários e, implicitamente, se adequar à era cada vez mais presente do capital virtual, não produtivo, empregado em larga escala nos setores privados e por países com disponibilidade monetária para fazê-lo. Nesse meio termo, a eficiência do Estado em gerir recursos passou a ser cada vez mais contestada, a tal ponto em que, em nome da já pronunciada "alocação racional de recursos", o setor privado se ocupasse cada vez mais em coordenar atividades até então intrinsecamente ligadas ao poder público (especialmente as de caráter econômico), enquanto a legitimidade, elemento político da mais alta relevância para a permanência da ordem institucional, centrou-se no Estado, capaz, à esta altura, de perenizar o discurso também altamente em voga da democracia representativa, outra espécie de meritocracia, desta vez atrelada mais diretamente às questões referentes ao controle do poder, e que se fez passar como sendo a realização plena das capacidades políticas humanas dentro de um órgão de grandes proporções, da mesma forma em que assentava, de maneira implicitamente análoga ao resultado dos processos de seleção da universidade, a divisão social do trabalho e, com isso, sedimentou a imobilidade das relações de poder na sociedade sob uma outra perspectiva - a política - já que contribuiu, pelo distanciamento cada vez maior dos indivíduos perante o primado da auto-representação, para a despolitização dos grupos sociais.
O espaço segmentado, e não permeável à sociedade que é ocupado pela universidade é outro momento em que a meritocracia, ainda que implicitamente, se faz presente. A construção de um campus vasto, inserido num local razoavelmente distante do centro da cidade carrega uma noção implícita da universidade como sendo uma estrutura diferenciada da sociedade, como um local criado para um fim específico, não compartilhável com outras aitividades desenvolvidas pelo resto da sociedade. Em certa medida há, mais uma vez, o forte elemento da busca pela eficiência, que leva a criação de espaços cada vez específicos para o melhor desenvolvimento de funções cada vez mais específicas. Dentro da universidade, o processo de separação de funções também é parecido, o que leva constituição de faculdades distantes entre si e a concentração de funções específicas em cada setor do campus. Isso, obviamente, também atende a um claro entendimento da universidade como casa do saber, como espaço de aplicação dos princípios positivistas - a busca da objetividade, de se fazer a "verdadeira" ciência. Temos, então, num primeiro plano, o espaço universitário, em razão da fragmentação explicitada, como aquele que se coloca na posição legítima, historicamente, de "pensar" a sociedade. Evidentemente, os planos se interseccionam intimamente, e é dessa maneira que se constitui, sob outra perspectiva, a noção de meritocracia - que contribui, como será visto a seguir, na construção da totalidade ideológica que é apropriada nas subjetividades e reproduzida pelas mesmas. Os muros construídos no entorno da universidade carregam a compreensão de que a exterioridade à ela abriga seres e estruturas que não têm relevância para a constituição daquela, seja por um aparente "risco" à sua integridade, seja pela noção de que o que é produzido fora dela não contribui para o cumprimento da "missão histórica da universidade. Desta forma, vem à tona dois princípios que compõem fortemente a existência universitária e que tornam-na essencialmente meritocrática. O primeiro é o de que quem "ingressou de fato" na universidade por meio do vestibular é quem tem a (única) legitimidade para usufruir de suas estruturas físicas. Quem não "pertence" à instituição de alguma forma se apresenta como um "risco" à sua existência, por mais que, em tese, a universidade tenha mantido o seu discurso de servir à toda a sociedade. O segundo é o de que as relações estabelecidas no seio do cotidiano da sociedade não têm qualquer relevância para a maioria dos estudos exercidos dentro da universidade. Não só porque, como será visto a seguir, não interessa aos interesses predominantes que regem os rumos da universidade como, de fato, não são caracterizados como "ciência", como conteúdo racionalizável e coerente com o caráter "rigoroso" daquela instituição. Nesse entendimento, aprofunda-se a noção, inclusive, de que o que é produzido dentro da universidade é "teoria", e os eventos externos, a "prática". Isso faz parte, obviamente, da separação de funções existente na sociedade (trabalho intelectual versus trabalho material). Com essa divisão, aos universitários faz-se crer que são os únicos capazes de aliar os dois conteúdos - já que lidam com o único conhecimento teórico válido, a saber, o produzido dentro da universidade e, ao saírem da mesma, enfrentarão mais preparados o mercado de trabalho, tido como o mais próximo da "prática". Entretanto, mesmo nesse caso ocorre uma insatisfação por boa parte do quadro discente: muitos acham que a universidade deveria preparar melhor para o mercado de trabalho ao invés de se preocupar tanto com o conhecimento não perfeitamente instrumentalizável. Embora vagarosamente, a universidade tem se dirigido nessa direção.
A aparente contradição vista no parágrafo anterior (que opõe o dito sentido público da universidade à sua privatização) é resolvida a partir do momento em que se enxerga, mais uma vez, a simbiose entre setores da universidade e do famigerado mercado. Nesse sentido, a universidade transparece como sendo não um espaço acadêmico, mas sim uma empresa, um local que não atua mais sob a égide da busca pelo desvendamento das questões sociais, mas sim pelo atendimento a uma demanda exógena ao caractere humano, símbolo cada vez mais presente do sistema capitalista em seu momento pós-moderno. Ou seja, a mais-valia. Essa alteração na função do positivismo nos rumos da ciência desvirtua-a em seu discurso interno (não se busca mais necessariamente a "verdade", mas aquilo que é mais "eficaz" - há, portanto, uma instrumentalização da metodologia científica pelos interesses mercadológicos), e leva a universidade a perder a sua função de agente histórico, de vanguarda nas transformações sociais - agora, cada vez mais, ela é simplesmente reativa aos interesses mencionados. Ainda assim, o nó meritocrático não é desfeito: pelo contrário, ele é apertado, na medida em que se concebe que essa instrumentalização da universidade por um interesse cada vez mais parcializado permite àqueles que funcionam como elementos de sua efetivação dentro da universidade como "especiais" nesse novo jogo - ao saírem desse primeiro estágio, poderão, em tese, desfrutar de posição privilegiada no mercado de trabalho; eventualmente poderão liderar esse processo numa geração futura. Isso quer dizer que a disputa por uma vaga no ensino superior aumentou cada vez ainda mais, e é esse o caractere subliminar que reforça a meritocracia universitária. Essa dinâmica altamente competitiva também contribui para que a universidade reforce seu caráter fabril - desta vez, de diplomas, que se tornarão instrumento diferenciador no mercado de trabalho em geral e na própria academia.
Outro ponto de extrema relevância no que toca à compartimentalização dos espaços dentro da universidade é a evidente divisão física e teórica existente entre as faculdades dos campus, fenômeno presente na maioria das universidades públicas. Este é mais um caso em que se busca cada vez mais o aprofundamento de questões intra-disciplinares (cada vez mais técnicas e, portanto, com linguagem exclusiva - o que exclui a imensa maioria da sociedade de seu debate), em detrimento do afastamento do entendimento transdisciplinar dos conteúdos ditos científicos. Gradativamente, há um interesse em desvendar processos que, dada a sua especificidade, atendem a nichos cada vez mais restritos da sociedade; observa-se aí, mais uma vez, uma correspondência entre problemáticas pontuais, geralmente voltadas à resolução de casos práticos, realizadas por setores do mercado de trabalho. A necessidade de se aperfeiçoar os recursos despendidos e a busca de uma análise mais pura (entendida, inclusive, como desideologizada), reflete no afastamento físico entre os departamentos e faculdades. Isso, obviamente, torna a universidade sem uma noção própria de todo, o que contribui para uma visualização cada vez mais evidente desse espaço como de caráter "produtivo", on demand, sem uma preocupação reflexiva, que leva a uma mecanização da vida universitária (já que se abstém do "pensar crítico"). Mais ainda, interfere dramaticamente nas relações sociais e na formação individual de todos que vivem nessa realidade.
Diante do já descrito processo de isolamento da universidade, em que cada vez mais se criam entraves para o relacionamento desta com a sociedade, torna-se mais claro outro processo existente dentro desse meio. Em conjunção com a contundente segmentação física dos espaços, a fragmentação positivista dos estudos, um enorme senso pragmático por parte dos alunos, e a origem mais ou menos homogênea entre estes, a distinção do espaço universitário cria, inelutavelmente, uma cultura social e política próprias, uma espécie de "bolha" universitária, em que podem ser observados comportamentos e sensos comuns tácitos em comum entre os frequentadores do campus que, por isso mesmo, são dificilmente apreensíveis pelos mesmos. Por meio desse processo, a mecanização da vida universitária se torna inquestionável. Ao contrário do que possa parecer, contudo, essa antropologia própria não significa uma refração a modelos comportamentais exógenos ao espaço universitário - o fato é que muitas dessas atitudes peculiares são desenvolvidas inicialmente fora da universidade, por meio de processos pedagógicos e relacionais que remetem ao cotidiano de cada indivíduo durante a sua formação pré-universitária. A condição de classe é, certamente, um dos fatores determinantes para essa homogeneidade, que se atesta no ingresso meritocrático à universidade. O jovem de maiores posses, como todos os demais, passa por um processo de rotinização de sua vivência, em que, por meio das experiências vividas, consolida determinadas percepções de mundo. Ao não conviver com pares de condição econômica radicalmente distinta, ele carece de um entendimento de si mesmo e da realidade que lhe permita questionar enfaticamente o mundo em que vive. Como caracteriza o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, os topos (lugares comuns), ao se agregarem criam um topoi (elemento máximo formador de uma cultura). Cada agrupamento social, por mais que seja de tamanho ínfimo, desenvolve laços em comum após certa convivência. Numa sociedade em que as similitudes econômicas acabam por moldar mais fortemente comportamentos sociais análogos (e cujas grandes diferenciações econômicas permitem a formação de grupos mais coesos internamente), torna-se possível à boa parte dos jovens que ingressam na universidade pública terem essas concepções em comum. Entretanto, ao contrário do que se imaginaria, essas convergências não se dão num plano mais ou menos objetivo, como por exemplo a afinidade política, o gosto musical, o estilo de vida ou mesmo o time de futebol. Na verdade, essa convergência não se dá nesses fins, mas sim é procedimental, muito mais de caráter relacional, por mais que hajam óbvias discrepâncias aparentes entre cada indivíduo. Ainda assim, essas indiferenças mencionadas resultarão, dialeticamente, num determinado tipo de interferência na sociedade e, certamente, numa apreensão individual de tal circunstância. A sociedade pós-moderna, um dos cenários em que parte desse processo pode ser observado, não é um fenômeno que abarca a totalidade das sociedades e das classes. É muito mais uma condição que se coaduna com o que se verifica na vida universitária, já que esta não é só passiva desse movimento ideológico, ela naturalmente interfere-no e, por circunstâncias ligadas ao sistema econômico vigente (que influi fortemente nesse meio), torna-se um veículo expansionista de seus princípios, que em última instância contribuem para a potencialização das relações econômicas praticadas e para a alteração do tipo de relação social encontrado em outros meios.
Dessa forma, um ponto nevrálgico em que essas relações peculiares se manifestam mais abertamente são as interações sociais. Pode-se dizer, em geral, que cada individualidade possui, em volta de si, uma espécie de espaço público, região em que ela manifesta, como o termo apresenta, publicamente determinados fatos, concepções e experiências. Ao mesmo tempo, e concentricamente à esfera anterior, o indivíduo ostenta um espaço privado, região íntima, onde mantém reservadas à pessoas extremamente próximas fatos, concepções e experiências que julga desnecessário compartilhá-las publicamente. A subjetividade, elemento interiorizado em cada ser, contribui para a seleção das informações mencionadas. De maneira bastante genérica, é possível observar que em círculos sociais em que há homogeneidade de condições sócio-econômicas inferiores, há, evidentemente, preocupações e concepções radicalmente diferentes das existentes num meio onde o status econômico é mais elevado. Ao mesmo tempo (e, em parte, em razão disso), nota-se que o espaço público individual se conforma numa espécie de esfera de grandes proporções: ou seja, há um grande compartilhamento de informações e experiências, o que leva a crer que a noção de coletividade e de uma despreocupação com questões como o status social perante outrem. O espaço privado é bastante restrito, o que faz crer num forte senso de confiança entre as individualidades. Nas classes mais abastadas e, por extensão, no meio universitário, a divisão entre os processos se inverte: o espaço público é restrito, e o espaço privado ocupa quase a totalidade das informações compartilháveis por cada indivíduo. Pode-se depreender daí uma clara noção individualista - e, por dedução, a falta de uma noção de coletividade - além, indubitavelmente, de um senso competitivo e de uma falta de confiança entre as partes. Como se pode ver, ao mesmo tempo em que produzem um determinado padrão de vida, esses grupos sociais também expressam uma concepção diferenciada de interação social. Conforme as subjetividades apreendem certas experiências vividas nesse meio (pela interseção e sobreposição da relação familiar, das microrrealidades vividas nos círculos de amizades, dos processos pedagógicos, das captação de um determinado cotidiano - especialmente imagens em comum), elas reverberam em determinados comportamentos tácitos que, evidentemente, se interrelacionam e permitem a contínua auto-transformação. No mundo universitário descrito, embora haja cisões políticas, preferências musicais e estilos de vida quase que diametralmente opostos, a maneira de exercê-los é razoavelmente a mesma, assim como se dão os relacionamentos entre os indivíduos. Duas pessoas que gostem de tipos musicais totalmente distintos apresentam, na realidade, maneiras peculiarmente parecidas de apreciá-las. Dois indivíduos, mesmo que opostos em termos de extroversão/introversão, terão um tratamento similar às pessoas. No caso uspiano, é notória a superficialidade das relações humanas; a constituição de laços mais profundos, de amizades, escasseia; mesmo quando ocorre (em geral após anos - e não meses, como em outros meios), se dá por meio de uma relação diferenciada, muito mais como consequência de uma afinidade de escopo menor - afinidade política, por exemplo - do que em razão de experiências de vida de grande escopo, ou mesmo sem razão aparente (simplesmente se um indivíduo é simpático ou não, como também ocorre em outras realidades). Embora essa homogeneidade comportamental possa ser observada em diversos outros aspectos, o seu caractere primordial é, certamente, o tipo de relacionamento humano, possivelmente tido como frio, pragmático e, se não superficial, "politicamente correto". Aquela esfera influencia dramaticamente no entendimento das demais, interferindo em suas concepções, já que, necessariamente, estas (como a ação política) precisam do elemento humano para ocorrerem. A meritocracia, nesses termos, tem papel essencial na definição dessa realidade e, portanto, na existência da vida universitária como realidade peculiar à vida societal. Todavia, como aquela não é perfeitamente eficaz na seleção de indivíduos com a homogeneidade comportamental explicitada, ocorre invariavelmente a entrada de indivíduos com concepções de vida radicalmente distintas daquelas. O choque social, nesses casos, é de enormes proporções, primordialmente para quem é "diferente". Sendo minoria, e por mais que possa apresentar determinadas afeições pontuais com aspectos presentes na antropologia social dominante, ele é, em geral, hostilizado, por mais que, no caso da vivência praticada na cidade universitária exista, objetivamente, um culto ao já mencionado "politicamente correto". Por ser um momento de elevada importância na vida do jovem (já que, dentro desta sociedade, significa a oportunidade de alcance do "sucesso profissional"), o ingresso na universidade apresenta consequências que se estendem por todo o resto de sua vida. Resta a ele, em razão desse conflituoso processo, poucas saídas: a alienação de sua subjetividade, ou seja, a assimilação e sujeição aos padrões comportamentais predominantes, em busca da aceitação do grupo e, assim, uma convivência, em tese, menos conflituosa; a fuga completa dessa realidade em nome da crença e manutenção de seus valores, que poderá resultar em total isolamento e, em geral, numa passagem traumática pela vida universitária; a busca por indivíduos que lidam com o mesmo problema, a fim de formar um grupo coeso que se una, principalmente, pela negação a esses princípios majoritariamente presentes na universidade - o que pode gerar afastamento, mas sem sensação de exclusão social.
E porque essa análise do comportamento social dentro da universidade se torna tão relevante ?
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Confiança
E como se ganha uma confiança perdida? Ou como se perde uma confiança conquistada? Parece que é muito fácil perder a confiança, e que difícil é reerguê-la. Eu acho isso tudo muito engraçado, pois se você traiu a confiança, quer dizer que você não é confiável. Se você não é confiável, como que um dia puderam confiar em você?
Eu nunca confiei em ninguém, mas também nunca deixei de confiar. Na verdade, confiança não existe. Acho que você, leitor, me entende. Eu conto algo a você, pois você é meu melhor amigo. Você, que tem um outro melhor amigo, conta a ele, e isso vira uma bola de neve.
Contando a um amigo, você está confiando nele, e traindo o outro que te contou. E assim, a cada ‘melhor amigo’ que essa história chega, uma confiança é obtida enquanto que uma outra é perdida.
Logo, a confiança parece estar sujeita às condições ideais de temperatura e pressão da química, ou a alguma lei aplicável à sociologia. E as pessoas tratam da confiança como se estivessem tratando da virgindade de uma filha. Algo sublime, como um “Santo Graal” feito do mais fino ouro e com a fragilidade do mais fraco cristal.
O pior de tudo é que as pessoas passam a vida construindo “Santos Graais” e jogando-os às mãos de outros, que têm a responsabilidade de nunca derrubar aquilo. Porque, se derrubar...
Eu nunca pedi que ninguém confiasse em mim. Muito pelo contrário, eu sou extremamente bocudo. Não estou nem aí. Já perdi muitos amigos por isso, e mesmo assim continuo sendo.
Houve uma história engraçada, muito mesmo, que me ocorreu esses dias. Alguém perdeu a confiança comigo. Não sei se esse alguém percebeu, mas na perda de confiança dela, ela me contou coisas que haviam sido confiadas a ela. Descobri eu que, no final das contas, todos haviam traído e sido traídos na história.
Mas é óbvio que não houve sensatez, e o único que admitiu o erro fui eu, claro... só não fechei esse círculo de desavenças pois acho que certas pessoas não têm ainda a capacidade de enxergar as sutilezas presentes numa amizade.
Uma amizade não é compromisso, não é obrigação. A amizade simplesmente é. Não existe confiança, não existe falta de confiança. A amizade só dá certo quando ambas as partes são desapegadas dessas futilidades, pois quando se verem presas a elas, logo ocorre um escorregão e está tudo acabado.
Amizade é isso? É se apegar a um escorregão? É esperar o momento de perder a confiança e assim acabar tudo? A confiança, então, seria algo bom? Ou seria apenas uma bomba relógio?
Realmente, estou muito confuso.
Espero ter uma visão esclarecedora logo sobre isso, pois está me consumindo por demais, como fogo sobre a água.
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Crateras 'all around the world'
Tragédia à parte, eu fico imaginando que essas coisas só ocorrem no Brasil. Esse país é o país da falha humana. Ou melhor, é o país da língua presa, logo é o país da falha divina, ou da divina falha. Sim, parece que o Todo Poderoso amaldiçoou esses país com os seres da pior espécie, e os fizeram divulgar que era um país abençoado. Talvez Ele fez isso com o intuito de ironizar mesmo, tirar uma com a nossa cara, como se diz por aí.
Mas não foi isso que eu vim falar aqui. Bom, estive pensando então o que poderia abrir uma cratera em outros países do mundo. O resultado é trágico? Divertido? Idiota? Preconceituoso? Não sei, não tenho tempo pra pensar em resultados aqui, somente em processos.
Enjoy it!
EUA: Ataque terrorista. Na verdade, o Pentágono abriu o buraco pra usar como desculpa para tal.
Israel: Descobriram um esconderijo Palestino enterrado a 30 metro da superfície.
Etiópia: Descobriram uma torrada com manteiga enterrada a 30 metros da superfície.
Japão: Godzilla? Algum desses robôs desenvolveu inteligência artificial? Ou mais um daqueles jogos mortais que eles inventam (melhor morte por soterramento provocado por míssil).
Coréia do Sul: Bomba vinda da Coréia do Norte.
Coréia do Norte: Bomba explodiu antes do lançamento.
Cuba: Caderno novo enterrado a 30 metros da superfície.
Argentina: Um manual "como ser um europeu" enterrado a 30 metros da superfície.
Russia: um arsenal novo (lê-se 'com menos de 30 anos') enterrado a 30 metros da superfície.
Sim, seria muito mais interessante uma dessas histórias... porém, infelizmente, temos que conviver com a velha e estúpida falha humana...
segunda-feira, janeiro 15, 2007
O estado de espírito de 2007
Faculdade: continua na mesma. Alguns aqui começando, alguns no meio, alguns indo para os "finalmentes". Como sempre, os velhinhos gordos vão manter sua didática antiga e ultrapassada, e vamos aprender com aquela meia dúzia que se salva, os quais as salas são tão lotadas que mal se consegue respirar dentro delas. Muitos agitos de greve, manifestações a favor de minúsculas cidades mexicanas contra não-sei-lá-o-que, enfim... um ano normal, tirando o fato de que esse vai passar da metade do curso, finalmente.
Emprego: ótimo, não vou falar pra não me comprometer.
Saúde: péssima, não vou falar pra não me comprometer.
Família: vão continuar pegando no meu pé, eu vou continuar prometendo mudar, eles vão continuar acreditando, e tudo vai ficar na mesma.
Amigos: sem palavras pra esses. Só digo que se melhorar, piora.
Mega Sena: Vou continuar jogando, e procurando algum político que queira me fazer de laranja pra qualquer outra coisa.
Bovespa: comecei o ano prometendo investir em ações. Agora, é só esperar eu fazer alguma coisa.
Corinthians: como sempre, torcedor fiel e esperançoso. Afinal das contas, o corinthiano expressa muito bem o sentimento de como é ser brasileiro.
Teatro: sempre falo que vou fazer um dia. Esse ano, com sorte, muita sorte, mas muita sorte mesmo, eu fico mais próximo de começar algo em 10 anos.
Amor: sempre em busca de uma namorada. Esse ano, prometo que vou estudar mais, trabalhar mais e me relacionar melhor com meus familiares.
Orkut: adorei essa brincadeira de fazer fake. Esse ano, vou infernizar muitas pessoas com eles.
Iniciação Científica: se o Leland quiserrrrr, eu poderrrr começarrrr logo.
Academia: começo. Prometo. É só tomar vergonha na cara. Com sorte, antes do teatro.
Livros: já comecei mais de 5 livros. Vou tentar fazer a segunda página de pelo menos 1 quinto deles.
Filhos: só vacilo muito grande.
Árvore: vou plantar uma, aí só fica faltando mesmo um livro e um pentelho.
Roger Waters: vou.
Carro e Habilitação: ficaram, de novo, pro outro ano.
Viagem pro exterior: está em mente, vamos ver.
Enfim, acho que é isso. Só pra que vocês saibam meu estado de espírito. Só pra saber! O primeiro filho da puta que vier cobrar algo leva uma!
Aventura Natalina de Jesus "ina mano brown style"
Interrompendo esse momento "wordless" inna "vibe-in" style. Pedro lança para João:
Pedro: É John John... mais uma ano se acabando, aniversário de Jay chegando... precisamos comprar algo pro cara né?
João: Pode crer Pedro... mas é foda.. nesse calor não dá pra ir na feira comprar nada... moh muvuca colando junto. Te contei uma vez que tava na fila da feira pra pagar um suco de limão lá na barraca Barrabrás, aí tava mto sol, e muita, muita gente junta se aglomerando... aí véi, algum maluco ali da Jerusalém leste solta um peido no meio da fila. Mano... não tinha pra onde fugir, aí um cara do meu lado vira e fala: Ae mano.. peidar bele, mas jogar merda em pó no ar é sacanagem hein..
Pedro: Foda, véio.
João: Foda.
Thiago, se intrometendo: Acho que a gente podia dar um banza pra ele.. mas tipo.. uma tora mesmo. Será que ele ia curtir?
André: Ia véi... Jay pira nessas parada
Felipe: Acho assim... se for comprar tem que comprar um pra marcar história. Tem que ser A tora.
Pedro: É nois, a gente faz umas fita aí... e levanta a grana.
João: Fecho.. cada um de nós levanta umas 3 moedas de ouro e já era... fazemo a festa.
No dia 24 de dezembro, todos os twelve brothers, mais umas mina, estilo Maria Madá, armaram uma festa na casa de Simão, onde estava o banza escondido. Lá pras 23:50, chega Jay, meio que já esperando uma festa surpresa.
Jay se depara com um retrato fiel da Babilonia e de tudo que combatia com suas palavras.
Jay vê, todos bêbados, fumando nicotina, copulando como coelhos e fica estático. Meio wordless, fica parado na porta quando alguém percebe a presença do aniversariante.
João: Aí véi... é o Jay na porta ou eu que to brisando?
Bartolomeu: Nossa Billy Joe, se pá meu olho tá fechado e eu não to vendo nada...
Tiago: É ele véi... ou é ele ou é uma alucinação coletiva..
Felipe: Nossa Jue... é ele ou não é?
Judas: Caralho véi.. foda.
Ai a galera vai a Jay, gritando parabens e alguns já pegando o banza para entregar de presente...
Quando Jay vê o banza e a embriaguês que está a galera, levanta a mão, meio que pedindo a palavra, e começa o discurso:
"Pessoal, eu agradeço muito pelo sacrifício que vocês fizeram para compra isso pra mim. Mas não era necessário. Agradeço por todo esforço que fizeram para chamar as minas, montar a festa, organizar a parada. Mas gente... não é isso que meu pai quer com essa data. Essa não é uma data para todos comerem, satisfazer seus prazeres carnais, beber e se drogar. Essa é a hora de pararmos, e fazer um balanço sobre o quanto a gente tem dado de amor pra vida, e se esse amor não pode aumentar. E eu já asseguro a vocês, ele sempre pode. Essa, é a hora de marcarmos confraternizações com nossos amigos, familiares, e estar junto e comemorando a união entre as pessoas. É nessa hora, que todos os laços de afetividade devem se estreitar, e os laços com as pessoas que não são tão queridas por nós, devem ser feitas. Daqui a 5 dias, um novo ano começa, e temos a oportunidade de virar uma página, e iniciar um novo capítulo na nossa vida. E sempre lembrando que temos que amar nossos semelhantes da mesma maneira que os nossos inimigos. Inclusive, amar mais os inimigos do que os semelhantes, porque essa é a verdadeira provação de amor que o meu pai quer ver de nós. O que eu quero com o dia 25 é que daqui a 2000 anos, as pessoas estejam se confraternizando, bebendo, comendo, e fazendo uma sinergia de afevidade para esquecer as tretas que rolaram no ano que passou e começar a cultivar a verdadeira amizade que deve sempre ser cultivada. Bem-aventurados os que gostam de um banza, pois é deles o reino dos céus."
Judas, inna espirito de porco style: Véi... se vai fumar o banza ou não?
Jay: Vou veí...
Judas: Bele.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Grato
Me derrubou, jogou no chão, deu tapas na cara.
Agora eu enxergo algumas coisas de uma forma diferente. E tudo ocorreu pela simples falta de um "porque" antes da surra.
Grato por ser seu amigo.