Eu realmente gostaria de entender o que é confiança. Para mim, confiança sempre foi algo vago, algo em que as pessoas se apoiassem para simplesmente terem certa segurança. A confiança flutua. Uma pessoa pode trair uma confiança por interesses próprios, pois isso é o que está acima de tudo para o ser humano.
E como se ganha uma confiança perdida? Ou como se perde uma confiança conquistada? Parece que é muito fácil perder a confiança, e que difícil é reerguê-la. Eu acho isso tudo muito engraçado, pois se você traiu a confiança, quer dizer que você não é confiável. Se você não é confiável, como que um dia puderam confiar em você?
Eu nunca confiei em ninguém, mas também nunca deixei de confiar. Na verdade, confiança não existe. Acho que você, leitor, me entende. Eu conto algo a você, pois você é meu melhor amigo. Você, que tem um outro melhor amigo, conta a ele, e isso vira uma bola de neve.
Contando a um amigo, você está confiando nele, e traindo o outro que te contou. E assim, a cada ‘melhor amigo’ que essa história chega, uma confiança é obtida enquanto que uma outra é perdida.
Logo, a confiança parece estar sujeita às condições ideais de temperatura e pressão da química, ou a alguma lei aplicável à sociologia. E as pessoas tratam da confiança como se estivessem tratando da virgindade de uma filha. Algo sublime, como um “Santo Graal” feito do mais fino ouro e com a fragilidade do mais fraco cristal.
O pior de tudo é que as pessoas passam a vida construindo “Santos Graais” e jogando-os às mãos de outros, que têm a responsabilidade de nunca derrubar aquilo. Porque, se derrubar...
Eu nunca pedi que ninguém confiasse em mim. Muito pelo contrário, eu sou extremamente bocudo. Não estou nem aí. Já perdi muitos amigos por isso, e mesmo assim continuo sendo.
Houve uma história engraçada, muito mesmo, que me ocorreu esses dias. Alguém perdeu a confiança comigo. Não sei se esse alguém percebeu, mas na perda de confiança dela, ela me contou coisas que haviam sido confiadas a ela. Descobri eu que, no final das contas, todos haviam traído e sido traídos na história.
Mas é óbvio que não houve sensatez, e o único que admitiu o erro fui eu, claro... só não fechei esse círculo de desavenças pois acho que certas pessoas não têm ainda a capacidade de enxergar as sutilezas presentes numa amizade.
Uma amizade não é compromisso, não é obrigação. A amizade simplesmente é. Não existe confiança, não existe falta de confiança. A amizade só dá certo quando ambas as partes são desapegadas dessas futilidades, pois quando se verem presas a elas, logo ocorre um escorregão e está tudo acabado.
Amizade é isso? É se apegar a um escorregão? É esperar o momento de perder a confiança e assim acabar tudo? A confiança, então, seria algo bom? Ou seria apenas uma bomba relógio?
Realmente, estou muito confuso.
Espero ter uma visão esclarecedora logo sobre isso, pois está me consumindo por demais, como fogo sobre a água.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Sublime. "That´s the one million dollars question, my friend".
Postar um comentário