terça-feira, maio 27, 2008

Doce de gente grande.

A menina olha sobre a mesa, mas ninguém a deixa tocar;
Ela é nova, não pode, vai dar dor de barriga, barriga vai dar.

A outra menina, mais velha que a irmã, sobe a rua correndo atrás de sorvete;
A mãe é católica, mas não importa, aprendeu a abrir a boca sem mostrar os dentes.

A mãe só come o brigadeiro, e lambe e raspa a panela;
Não gosta que as crianças cheguem perto, nada disso! É só dela!

O pai também gosta de brigadeiro, mas prefere o beijinho,
Em festa na casa da prima, na empresa e o da mulher do vizinho.

O avô já não pode mais com o cheiro, com o toque e com o sabor;
Encosta sua bengala sob o queixo, suspira e se lembra do fino ardor.

A avó é fraca, sentada na cadeira de balanço, tristonha, lamenta;
Gostava de bolo de fubá, um copo de água e um toque de menta.

O padre diz que não gosta e que não pode, a igreja mandou ser diabético;
Mas volta e meia o coroinha lhe faz um belo doce de batata dietético.

A vizinha é a que mais aprecia e em uma variedade mais gostosa e maior;
O sonho do padeiro, o quindim do doceiro e o pote de guloseimas do Major.